22 de mar de 2015

A Promessa a São Boaventura... Causo de Niva... (post 1054)



Reza a lenda, que toda vez que São Boaventura era trazido para a capela da Imperial Vila de Canavieiras, ele voltava, andando, pelas areias da praia, ficando os pequenos pés do santo impressos nas areias. Isto aconteceu muitas vezes, e toda a vez que acontecia ele era novamente trazido de volta para a Vila de Canavieiras.



Sua história começa quando os primeiros moradores do Puxim encontraram a imagem de São Boaventura na praia, no século XVII, trataram de construir uma capela para que seus devotos pudessem prestar as suas homenagens ao santo que se tornou padroeiro da comunidade. São Boaventura ficou na capela durante algum tempo até que a maior parte das pessoas estabelecidas na comunidade se mudasse para a Ilha de Canavieiras, por razões de segurança, devido aos frequentes ataques dos índios da tribo Pataxó hã-hã-hãe e se fixaram às margens do Rio Pardo, bem no lugar onde ele se encontra com as águas do Rio Patipe.



Após a mudança, os moradores da nova vila, sentiram a necessidade de erguer outra capela, para que o padroeiro, São Boaventura, pudesse ser transferido. Assim foi feito, e a nova capela foi erguida e a imagem do santo transferido da capela do Puxim para a Imperial Vila de Canavieiras, ficando todos satisfeitos com a transferência, menos o santo. 













Por conta dessas devoções católicas da cidade, desde então milhares de pessoas do sexo masculino, são homenageadas com o nome do padroeiro Boaventura, e os chamam carinhosamente de “Boinha”, é claro que para identifica-los faz-se necessário acompanhar de uma sinalização verbal para diferenciar, um sobrenome, ou filiação, ou apelidos agregados por características engraçadas, por aí vai, portanto é garantido que temos mais “Boinha” que “Zé” em nossa cidade.



O fato que, nosso personagem fictício Boinha juntou por anos suas economias oriundas como pescador artesanal e trabalhador rural nas colheitas das roças do cacau, com um único objetivo, realizar um sonho de comprar um carro. Seu rico dinheirinho não dava para comprar um veículo zero quilometro, mas dava para comprar o carro do vizinho que estava parado há quase dois anos em sua porta. Fez uma proposta, uma contraproposta, a negociação não foi fácil, pois o desejado precisava de alguns reparos. Por fim comprou seu primeiro carro, um autêntico e original Lada Niva 1991, o mesmo ano do Grauçá.


Como seu distrito não havia oficina para reparos e ele tinha habilidade para mexer em máquinas agrícolas e geradores de energia, encomendou na sede um envio de uma bateria nova. Trocou todos os óleos necessários e recomendados, encheu os pneus, colocou gasolina e depois de várias tentativas o motor funcionou, Boinha deu pulos de alegria, logo foi dar uma volta em todas as ruas do lugarejo para testar, não se contentando pegou o asfalto, seguiu pela BA 001 para sentir o sonho nas mãos, estava realizado, empolgado pelo sentimento emocional, não percebeu que alcançara o quilômetro dezoito e por lá acontecia uma blitz da polícia rodoviária, três viaturas e um guincho, os caras fortemente armados, parando todos os carros, Boinha se desesperou, pois não tinha habilitação e o documento do carro estava atrasado cerca de quatro anos. Não tinha mais como retornar para fugir do flagrante, o nosso personagem estava ferrado se o policial o parasse. Rapidamente implorou a São Boaventura para que intercedesse naquele momento: “Valei-me São Boaventura!!!” Se caso ele escapasse daquela situação ele pagaria a promessa de caminhar do Puxim até Igreja de São Boaventura, conforme a lenda, uns trinta e três quilômetros. Pensou, pensou, teve a ideia de simular que estava empurrando o carro, como o município é quase todo plano e naquele trecho era uma suave descida isso lhe favoreceu. Mas não sabia qual desculpa ia dar ao policial ainda.



Com o braço direito erguido e o dedo apontando para o acostamento o policial de farda camuflada e armado até os dentes mandou parar:
“Bom dia senhor, porque está empurrando esse Niva, ele está quebrado?!”
Nosso personagem Boinha logo se lembrou da promessa feita a São Boaventura e disse: “Senhor, meu sonho era ter um carro, e eu fiz uma promessa a São Boaventura, que se um dia eu alcançasse essa graça eu iria empurrando o carro até a sua igreja em Canavieiras para o padre benzer...”
O policial experiente olhou para Boinha todo suado de nervoso, olhou para o estado do carro, olhou novamente para ele e disse: “Segue sua peregrinação irmão e vá pagar sua promessa a São Boaventura e reze também por nós...”



Boinha entrou em êxtase com a graça alcançada, São Boaventura atendeu seu pedido, mas tinha que empurrar o Niva por mais uns dois quilômetros até a primeira curva, sozinho, seria uma tarefa árdua, mas faria com garra, após a curva poderia comemorar, pois não seria mais ser visto pelo policial educado. Só que antes de chegar a tal curva uma viatura da polícia rodoviária que participava da blitz se aproximava. Boinha se organizou todo para mostrar que estava pagando sua promessa com bastante fé e começou a cantar o hino de São Boaventura. ““Salve, mar! Salve, esplendoroso céu que sobre esta terra estende teu redil! Salve, Sol de aurifulgente véu que polvilhas de ouro as searas do Brasil!”



A viatura parou ao dele e o policial educado disse:
“...conversei com o comandante sobre sua promessa, e ele ficou muito sensibilizado uma vez que é também é devoto de São Boaventura, ele ordenou que a guarnição o escoltasse os próximos dezesseis quilômetros que resta até chegar a igreja, siga sua peregrinação irmão...”
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Fontes:
Boinha: Personagem fictício.
*Este é um causo ou piada copiada da internet de autoria desconhecida, foi adaptada, e é uma ficção, portanto qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

 



Um comentário:

Caio Pompeo Alves disse...

kkkkkkkkkk! essa foi boa! rrsrsrsrsr