8 de mar de 2015

Isabela, Construindo Uma Paixão por Magá – MULHERES DE NIVA (post 1048)


O primeiro contato de Isabela com um Niva foi aos 14 anos, quando junto com
seu pai, o Camarada Niveiro “Nomade Sts”, foram buscar o primeiro membro russo da família o “Shrek”, um Lada Niva que havia comprado em Sete Lagoas-MG. Partiram de São Paulo rumo a primeira aventura nivística da Isabela, rodaram cerca de 700 km de moto, esta viagem por si só já foi uma grande aventura.


Era um domingo quando pegaram o Niva para testar e de cara tiveram a primeira experiência numa rampa, que foi devidamente registrada em vídeo – “A primeira rampa a gente nunca esquece!”: http://youtu.be/LLIJISYyW1Q


Depois subiram a Serra Santa Helena, uma montanha localizada dentro da cidade, a ideia era testar o motor e todo o sistema de tração, enquanto o Nomade pilotava a máquina ia explicando em detalhes tudo que estava fazendo,  engatando a reduzida, o bloqueio,  a conversa fluía fácil, ensinava os conceitos básicos de mecânica, procurando assim, dar independência e autoconfiança para suas filhas, preparando-as para o dia que tivessem seus próprios carros.


Dia seguinte, uma segunda-feira, trocaram todos os óleos necessários do carro, motor, câmbio, caixa de transferência e diferenciais. Fantástico era ver a Isabela acompanhar tudo atentamente, com certeza era a ânsia de absorver o conhecimento. Aproveitando que o carro estava numa valeta, fizeram um reaperto geral, vários parafusos frouxos, Nomade pedindo as ferramentas pelo nome e a Isabela, como já conhecia, ia buscando na caixa. Após um belo banho e um delicioso almoço mineiro seguiram para Belo Horizonte, onde iriam buscar um Violoncelo. À noite, após a janta, pegaram a estrada novamente, numa viajem que seria a mais longa pela qual já passaram até hoje.


O carro não passava de 50 km/h, quando Nomade pisava mais fundo no acelerador não alimentava o motor com gasolina, principalmente nas longas subidas das serras da Fernão Dias, mas como o carro estava andando, acharam melhor continuar a viajem assim mesmo, principalmente por conta do consumo que estava bastante baixo, fazia mais de 10 km/L e como não conheciam o carro, por garantia, a cada 100 km parava para abastecer. A noite foi muito longa, mas a Isabela sempre ali, acordada e conversando para seu pai ficar esperto e não dormir ao volante, conversavam coisas que teriam que melhorar no carro, nos reparos que seriam mais urgentes, da necessidade de trocar os pneus para reduzir o barulho infernal que faziam no asfalto.


15 horas de viagem e chegaram a São Paulo, já na marginal, com o trânsito quase parado, o Shrek perde o acelerador, o motor continuava a girar, mas o pedal do acelerador estava morto, desceram do carro, abriram o capô, descobriram a vareta de aceleração havia desencaixado, nada que um arame não resolvesse. Um trânsito caótico nas Marginais para variar, andando em primeira, nada de interessante pra comentar, foi quando a Isabela sucumbiu ao sono de uma guerreira, merecido.


A descida da serra e a chegada em casa foi tranquila. No dia seguinte retiraram o carburador para uma limpeza, Isabela ajudou a secar as peças após lavar, montaram e regularam o carburador,  Nomade sempre mostrando o funcionamento dos componentes para ela, depois saíram para testar e analisar o melhorado desempenho.


No fim de semana seguinte, foram a Peruíbe-SP, pois queriam fazer novos testes na lama. Chovia um pouco quando pegaram à estrada Guaraú/Barra do Una. O carro pulava muito, pois estava com 31 libras nos pneus, Nomade deu o calibrador na mão da Isabela pedindo para ela reduzir a pressão dos pneus para 18 libras.


A partir daí foi só diversão, os pneus agarravam nas curvas, ficou bem confortável, brincaram bastante, espalharam muita lama, se divertiram.  Após tanto solavanco, o alternador parou de carregar e ainda tinha que voltar para Santos, a Isabela ficou preocupada, mas já estavam no "quintal de casa", Nomade a tranquilizou, dava para ir a pé pra casa, caso o Niva morresse, e conseguiram chegar mais uma vez em segurança em casa.  “Foi aí que Isabela expressou pela primeira vez a vontade de ter seu próprio Niva aos 14 anos de idade” comenta Nomade.


Depois disso, os três, Isabela, Júlia e Nomade, viajaram muito com o Shrek, e sempre que surgia a oportunidade conversavam sobre mecânica e elétrica, pois ambas sabem da importância de se conhecer o próprio veículo. Essas conversas cada vez mais despertavam o interesse das meninas, a Júlia prefere carros mais modernos, porém a Isabela, cada vez mais demonstrava o desejo de possuir um Niva e começou a ajudar nas manutenções do Shrek para conhecer melhor o carro, e até já trocou velas com direito a calibragem da distância dos eletrodos. E numa das viagens para Ilhabela, à bomba de gasolina pifou, então depois de bomba nova comprada, Isabela pediu ao pai que a ensinasse a fazer o serviço, diga-se de passagem, ficou perfeito!









Entre passeios, viagens e manutenções a “Pikena” foi se apaixonando cada vez mais pelo russinho. Até que um dia, surgiu a oportunidade de Nomade comprar um Niva de um amigo que estava passando por uma restauração, mas ele não queria mais dar prosseguimento na obra. O Niva já estava com a lataria em ordem, precisava pintar e montar,  tinha todas as peças exceto motor e câmbio originais, visto que o cidadão iria instalar motor e câmbio automático do Opala 4 cilindros.  


Após muita negociação, decidiu que eu ficaria com o Niva sem motor e câmbio. Porém, antes de concretizar a compra, se fazia necessário que a principal interessada, Isabela, que até então não sabia de nada, fosse avaliar o tamanho da “encrenca”.  Nomade foi para casa e contou a história para as duas, a Isabela ficou empolgada e com medo ao mesmo tempo, achava que era melhor pegar um Niva que estivesse pronto, ela queria ir imediatamente ver o Niva que poderia ser dela. Dia seguinte, quando viram o carro as duas ficaram assustadas, e a Isabela disse: "pai, acho que não vai dar certo, nunca vamos conseguir montar isso". Nomade a tranquilizou novamente mostrando que o serviço pesado de lataria estava concluído e que faltava "apenas" montar o carro. E que mesmo que tudo desse errado, ainda assim seria uma experiência de vida muito importante.








Um mês depois, o Niva que a essa altura já tinha nome, Maria Gabriela, ou apenas MaGá, junto com a “Fiona”, uma moto Yamaha XT225, que já está na família a 10 anos, foram de guincho para Peruíbe, onde agora aguardam pacientemente que o Camarada Niveiro Nomade Sts e a sua “Pikena” Isabela, de 16 anos, tenhamos tempo livre para fazerem as reformas.  “Calculamos dois anos para o projeto ser concluído, a ideia é que a MaGá fique pronta para quando a Isabela completar 18 anos” comenta Nomade com muito orgulho da Isabela.
























Com certeza essa história ainda continua no blog...



Fonte:


Camarada Nomade Sts


3 comentários:

FUYNHA disse...

História e família NOTA 10!! Parabéns!!!

Caio Pompeo Alves disse...

Bacana!!!! Parabéns Isabela! Sucesso na restauração da Magá!

pablo porras disse...

http://youtu.be/ysHmFAb72ko