16 de mar de 2011

Resgate Além Fronteira – Irmandade Niveira em Ação




Ediberto” para alguns, ou o “Vermelhinho Russo” para outros, de apenas 16 aninhos, o Lada Niva da nossa amiga “NIVEIRA” Edna Diniz Medeiros, passou um perrengue entre os dias 28/12/2010 a 14/01/2011 durante sua viagem ao Uruguai, foi a sua primeira aventura “Nivesca” internacional.

Vermelhinho Russo ou Ediberto


Com experiências em viagens domésticas e incursões entre o Baixo São Francisco, Serra da Canastra, Estrada Real, região serrana, sul de Minas Gerais, além de todo o litoral do Espírito Santo e Rio de Janeiro, achou que estava mais que na hora do Niva Grená de romper as divisas do Mercosul.

Arrumando as tralhas...


Excitados com a aventura por vir e pelo o atraso do casal amigo, partiram por volta das 16 horas, a “Niveira” Edna, seu namorado Roberto, Rosimeire e Eduardo. A idéia inicial era atravessar São Paulo ainda à noite e não pegar engarrafamento, seguindo pela Regis Bitencourt pela manhã, comemoram muito quando viram a placa “Bem Vindo ao Paraná”, afinal tinham atravessado dois estados.


O ex-atual namorado Roberto, Edna, Rosi e Eduardo

O GPS apresentou defeito e aí o grupo de amigos já se preparam espiritualmente e psicologicamente para se perderem muito pelas estradas a fora, por outro lado começariam a fazer contatos com pessoas durante a viagem. O “Vermelhinho Russo” apresenta o que poderia vir pela frente e resolve dar sinais de alerta, uma pane elétrica que logo voltou ao normal sem precisar mexê-lo.

GPS com defeito...


Depois do sufoco inicial aproveitaram a viagem passando belo litoral de Santa Catarina. Após o almoço o Eduardo assume a direção pela primeira vez, o Vermelhinho acostumado com os pés de anjo da Edna e da Rosi, fez “birra” e após o abastecimento simplesmente não pegou, segundo sinal. Normalmente a bobina do Vermelhinho Russo esquenta e aí tem que esperar esfriar, o frentista colocou um pano molhado para ajudar a refrigeração, “...e para nosso desespero um outro veio com um cabo de vassoura e começou a bater no alternador, ficamos apavorados...”


Edna Diniz - "Mulheres de Niva"


Ligaram para o seguro e esperaram muito, sabiam que era um probleminha simples, mesmo assim a seguradora enviou um reboque. Resolveram ir para Porto Alegre, Rosi e Eduardo dispararam milhões de e-mails para amigos no Rio de Janeiro perguntando sobre oficina para Niva na região. O Pai do Eduardo, além de não ajudar, fez uma piada: “porque vocês não aproveitam para vender o Niva???”...
Saíram do posto lá pelas nove horas da noite, tristes pelo Niva percorrer a “Infinita Highway” rebocado...
Consertaram o alternador e seguiram viagem. 30 km depois param para abastecer, e o mesmo problema, o alternador estava com o plug de conexão gasto, soltava toda hora, mesmo assim seguiram em frente...
Direto até Pelotas, abasteceram de gás pela última vez, 
“...até Buenos Aires e lá ainda dependeria de conseguirmos colocar o bico para abastecer lá, não usaríamos o gás, ele ficaria como reserva...”


Rosi pilotando...


Na fronteira com o Uruguai não tiveram problemas maiores, apresentaram a “Carta Verde”, documentos pessoais, documentos do carro e a permissão Internacional para dirigir.
‘...como o Edu não tinha permissão Internacional para dirigir, e o Roberto não dirige, só eu e a Rosi iríamos dirigir...”

Em Punta Ballena depois de seguir por 40 kms o carro começou a perder força, a Rosi que pilotava parou para eu dar uma olhada, Edna assumiu a direção e não andou 100 metros, o carro não pegou mais.
“...começamos a verificar as possibilidades, não era alternador pois a parte elétrica estava funcionando, não era o sistema de partida pois tudo respondia, o motor rodava, ele simplesmente não tinha força para andar...”


Onde as mulheres dominam a pilotagem, Edu é de reserva...


Conseguiram um mecânico “...olhou, perguntou e fez seu primeiro diagnóstico, é o carburador!”
“...tínhamos quase certeza que era o carburador mas eu achava que era só limpeza...”
“...mas tem que trocar? É possível trocar??? Tem carburador para o Niva???”
Respondeu o mecânico Luis Carrera: “...Si, si muitas peças do Niva, fácil, mas preciso de 1 dia...”
Perguntaram se ele tinha certeza e confirmado foram passear em Montevideu.

Reserva do Taim

dia 03/01 retornaram como combinado para pegar o carro no mesmo ponto, mas para a surpresa dos aventureiros o Carrera apareceu no seu carro.
“...era um atestado da sua capacidade de mecânico, o carro era um cacareco de um modelo indefinido, andava e rebocava, não tinha tanque de gasolina, com um ferrolho de porta de banheiro de botequim para fechar, a madeira da carroceria está toda estragada, com vários buracos, por isso pensávamos: se ele faz isso andar pode fazer qualquer coisa...”


Brasil / Uruguai


“O que aconteceu?” perguntava Edna.
“Não sei. Ele estava bom, mas na hora que eu vinha para cá ele não quis pegar...” comentava Carrera

Horas se passaram e nada. O mecânico não sabia qual era o defeito, achava que tinha que limpar pistões, etc... Dia seguinte após os casais revezarem em passeios e guardas das malas, finalmente pegaram o carro e seguiram viagem, mas por apenas 400 metros, após o Niva ir perdendo força ao subir a primeira ladeira, perdendo força, perdendo força e parando no cume.
“...fizemos a volta no muque, pegou no tranco na descida, mas quando chega em baixo o motor apaga novamente, a partir daí começa nosso desespero, várias pessoas param, fazem a mesma coisa, verificam alimentação (ok), Parte elétrica (ok)...”

Mais 5 horas para o Luis Carrera chegou para rebocar até sua oficina.
Dia seguinte após ataque de nervos da Edna, sentimento de ira e com lágrima nos olhos foram a Maldonado comprar duas peças o rotor e a tampa do Motor do distribuidor, que foram trocados e não adiantou, o problema persistia.

Pousada Chuí

Liberados para seguirem viagem, a Rosi e o Edu, aí foi a vez do casal Edna e Roberto discutirem a relação, “...queria que eu abandonasse o carro, que eu me convencesse que o carro não tinha mais jeito...”
Edna chorou, gritou, terminou o namoro por causa do “Ediberto ”, sabia decisão momentânea, afinal o tal namorado Roberto (meu xará), não dirigi, não entendi de mecânica...
Convencida a deixar o carro no Uruguai e ir até Buenos Aires relaxar, curtir a viagem, se distrair, “...na volta pensaríamos em o quê fazer com o carro...”.

Punta Del Leste

Na oficina Luis (tacanho internacional) Carrera afirmou que em 5 dias consertaria o carro, que apenas precisaria de tempo para pesquisar...
“...levar o carro pro Brasil seria o preço de outro...” - comentou sarcasticamente o tacanho.

Já em Buenos Aires, lá pelo dia 9 de janeiro, ligaram para Carrera, que informou, que o problema era numa caixa metálica, “...pediu para comprar na Argentina, não tínhamos a menor idéia do quê se tratava, e que seria a tal caixa de alumínio?...”

“...com essa notícia nossa paciência se acaba na mesma proporção que explode o nosso desespero...”

Quebrou...

“...aí eu tenho a feliz idéia de procurar ajuda. Deixo uma mensagem para o Grauçá no Orkut, a partir daí começa o trabalho do Betão, que faz uma ponte (virtual) com todos os Niveiros Brasileiros, que me ajudaram muito: Pedro Augusto Zanini, Rafael Louro, Leandro, Luis Cuica, Guttemberg, Gil, Edson, Emílio, Flugêncio, Calixto, João, Leandro, os citados e os não citados todos foram de suma importância para nossa sanidade mental...”

Edna a espera do reboque...


“...consegui no Niva Argentina alguns telefones de reboques...”
“...Pedro Augusto me deu seu telefone e falou para eu levar para Santa Maria...”
“...Rafael Louro do Rio Grande me ofereceu mecânico e ajuda, me aconselhou a levar para Chuí, eu estava em dúvida em que ponto sair do Uruguaí e isso foi muito importante...”
“...Luis Cuica nos indicou como chegarmos a Rota 9 o que era essencial para estarmos no caminho certo para Chuí, e não dependermos das informações do mecânico a essa altura estávamos muito desconfiados, mas depois vimos que ele realmente não agiu de má fé, pois preocupado ligou várias vezes para o cara do reboque, para saber se estava tudo bem depois que já estávamos no Chuí, o Luis Cuica me fez compreender a linha de pensamento do Luis Carrero e também que a tal caixa de alumínio era a caixa de ignição...”

deixando Punta Ballena...


“O importante é que ao mesmo tempo em que eu ia recebendo uma força de todos os Niveiros Brasileiros, ia me acalmando, e que seria possível levar o carro pelo menos até 400 kms depois da fronteira, e não sairia tão caro, esse passou a ser nosso objetivo.

“...gostei muito da idéia do Pedro Augusto de Levar para Santa Maria e deixar lá, depois voltar para buscar. Mas o importante era chegar no Chuí.”

“Roberto falou para eu guardar a máquina dentro da mochila, para evitar eu carregar muita coisa e perder, como sou teimosa e adoro tirar fotos, eu não quis, na hora de sair do taxi deixei a máquina cair, lá se foi para sempre as fotos que tirei na viagem...”

“...já em Punta Ballena preferimos telefonar e tentar a Carta Verde dica do Guttemberg, não consegui, por fim o Luis Carrera ligou para o Automóvel Club do Uruguaí a nosso pedido e conseguiu um valor que correspondia a todas as moedas que tínhamos no bolso convertido para o Peso Uruguaio foram 9.200,00 pesos Uruguaios ou seja R$ 920,00.”

Abastecendo de 60km a 60km...

“Nícolas outro personagem da viagem, o cara que dirigia o reboque, ele era muito legal, um Uruguaio que nasceu no Brasil, mas que foi registrado no Uruguai, ele é louco para conseguir provar que é brasileiro...”
“... tanque de combustível do reboque era pequeno tínhamos que parar a cada 60 kms para abastecer...”

Curiosidade brasileira, chegando a Chuí Edna foi apresentar os documentos do carro, não quiseram nem ver, anotou apenas a placa. “...Niveiro é muito confiável!...”

“...acessando a internet vimos que tinha uma dica do João sobre uma concessionária em Santa Vitória anotamos e ficamos mais felizes pensando que o problema do Niva poderia ser resolvido, e nisso o otimismo do Edson Vissotto foi muito legal, mas ao ler um comentário do Luis Cuica que a peça dificilmente estraga ficamos preocupados, dia seguinte quando chegamos na oficina o pior aconteceu. O diagnóstico era a parte de cima do motor, no mínimo 15 dias para consertar, na verdade o mecânico Tito era um ex-niveiro, e ex-niveiro é como ex-fumante, ou o cara é louco para voltar a fumar ou o caro enche o saco de todo mundo para parar de fumar, o caso do Tito é o segundo ele toda hora falava, o Niva é muito bonito, mas não presta, etc, etc... A solução é se desfazer...”

“Novos pedidos de socorro para os Niveiros, a irmandade unida ajudou novamente, o Calixto nos deu a dica das carretas, melhores que reboque, o Leandro nos deu o telefone do Transportadora Gabardo em Porto Alegre, o Calixto e o Pedro Augusto tinham oferecido lugar para deixar o Niva em Santa Maria e Pelotas, para mim era a melhor solução,deixaria o Niva depois consertaria e iria buscar, mas o Roberto foi contra, seria difícil voltar para buscar o Niva.”

“A Destak por R$ 1.000 a partir de Porto Alegre, sem cobrar taxa extra de carro quebrado, as demais cobram...”

Na oficina do Dino


“...seguimos no reboque para POA, pegamos um táxi e fomos para o aeroporto, chegamos no Rio de Janeiro no dia 14 uma sexta feira e caímos no samba, o Vermelhinho Russo só chegou na oficina do Dino 18 de fevereiro...”

“...o problema do carro era mesmo a parte de cima do motor, Dino foi desfazer toda tacanhice tinham feito na viagem, no dia 25 de fevereiro peguei o carro depois de quase dois meses sem vê-lo, quase morri de saudades...”

Dino e Edna

“O Vermelhinho Russo está pronto para pegar a estrada no primeiro feriado prolongado, será em abril, Semana Santa, vou a São Tomé das Letras só para matar a saudade da Estrada, mas já penso na próxima aventura internacional, Roberto meu namorado, já está quase convencido, vou tentar chegar ao Chile em 2012...”

“O que posso dizer é que tudo valeu a pena, não sou uma pessoa razoável, sigo o conselho de Charles Fourier que diz que cada pessoa tem que ter 10 vezes mais paixão. E uma das minhas grandes paixões é estar na Estrada com o meu Vermelhinho Russo...”

“Meu lema é: Vou aonde meu Niva me levar! E contando sempre com uma família de Niveiros.
Valeu companheiros, Valeu Betão!”
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Fotos:
Edna Diniz
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Um comentário:

Luis fernando disse...

Muita aventura nessa viagem,que pena que acabou assim sua viagem.Gostei muito desta matéria e as fotos, e fico feliz pela cooperação dos niveiros,mostrando mais uma vez que não há fronteiras para nós niveiros com a internet.Parabéns Edna e grauçá intermediando estas fotos.
abraço
(luis cuica)luis fernando
niva95 gnv-caxias do sul-rs