4 de jun de 2010

Uma Viagem de Niva de 500km


Kavuska e Mikhayl 1.7 TD

Uma viagem de niva de 500 km.

Parte I

O celular tocou...Anunciando 5:00 hs da madruga do dia 20 de Maio de 2010. Hora prevista de levantar. Mas nem precisou tocar muito, pois a noite foi muito mal dormida, com receio de perder a hora.Acordei varias vezes. Já estava com a viagem atrasada em no mínimo 20 dias. No dia anterior, era a data marcada pra sair, mas devido ao mal tempo (um ciclone extra-tropical no litoral catarinense) criando uma borrasca (ventos com chuvas intermitentes) e muito frio. Desisti de sair com um clima destes.
Uma viagem longa (500 km), enfrentando uma rodovia que inicia com uma serra forte, com subidas longas e acentuadas, poucos acostamentos largos, alguns trecho de 3ª faixa, pra veículos lentos. 500 km? Mas isto lá é coisa pra se preocupar?
Pra mim era...ainda mais pelo tipo de estrada que eu ia enfrentar. E pelo tipo de veículo que eu tenho...Um Niva 1991/92 que estava em final de acertos, após 1 ano parado, pra colocar motor diesel. Neste 1 ano, após o motor diesel dos meus sonhos ter praticamente caído no meu colo, um Fiat 1.7 TD, o motor a diesel que tem maiores facilidades em adaptar num Niva.
Foram 365 dias de vários contra-tempos, desacertos, angustias, desânimos, ajuda de amigos e familiares, grana que faltou...Dará um capitulo a parte.
Mas enfim, já estava com o carro todo pronto pra grande jornada, com peças sobressalentes, mangueiras, arames, lata com parafusos, porcas e arruelas, massa epóxi, silicone para alta temperatura, macaco jacaré pequeno, caixa de ferramentas completa e mais um pouco, tocos de madeiras, garrafas pet´s com água, 5 lts de óleo para motor diesel, pasta pra lavar as mãos, papelões pra forrar o chão, panos e estopas, gasolina, lanternas...e muitas outras coisinhas que poderiam ser úteis.
Malas também prontas, com roupas de frio, edredom, lençol, toalha...
Coisas pra comer em viagem, biscoitos, água, frutas...
Mas levantei da cama, olhei pela janela do meu quarto...a esposa estava ali dormindo...
Só havia um vento lá fora, sem chuva. Me animei...opa! Da pra ir.
Desci pro andar de baixo da casa, e fui cuidar das primeiras coisas matinais. Fiz um chá quente, comi uns biscoitos...Voltei pro quarto, beijo na filha e na esposa.
Peguei tudo e fui pro carro, que me aguardava na rua, já apontado na direção certa...
Desarmei o alarme, guardei as coisas dentro, abri o capuz do motor e examinei água e nível de óleo. Tudo certo.
Entrei na viatura e iniciei o processo de partida...Aquecer as velas (motor a diesel com injeção direta usam velas assim). Deixei aquecer os 15s. necessário, e dei a partida. Não pegou. Novamente deixei aquecer, e dei a partida...Nada de novo. Putz! O medo de ficar sem bateria já bateu. E foram 5 vezes este processo até que o motor acordasse.
Foi aquele fumaceiro preto, mas pegou. Depois de uns 2 minutos deixando o motor lubrificar, engatei a primeira marcha...o niva avançou pra frente ao soltar a embreagem.
Iniciou-se realmente a longa jornada...
Segui os caminhos comuns ao meu dia a dia, pois moro há uns 30 km da rodovia fatídica (a BR 282) que corta a serra catarinense. Peguei a SC 401, rodei uns 10 km e parei num posto pra ver se estava tudo certo ali no motor (correias), algum vazamento de óleo ou água.
Tudo estava bem. Mas o receio se justificava. Nos dias anteriores, passei embaixo e encima do motor, inclusive o retirei do veiculo, para refazer umas coisas que precisavam ser refeitas e trocar a junta do Carter, que apresentava um vazamento de óleo muito acentuado.

Fora isto, devido a minha insistência em manter o diferencial dianteiro despregado do motor, como nos Nivas originais, os meus sistemas de fixar o dito diferencial não obtiveram grandes êxitos, fazendo com que o cardan dianteiro, toque na barra estabilizadora, o que me irrita profundamente. È aquele “roc, roc, roc...” mardito. Mas culpa minha.
Fiz novos suportes, e no decorrer do deslocamento, verifiquei que não tinha acabado com o problema. Principalmente nas arrancadas mais fortes e nas trocas de marcha mais rápidas.
Mas julguei que conseguiria seguir assim. Cheguei a Av. Beira Mar Norte, ainda escuro, e quase vazia...Atravessei a ponte entre a ilha e o continente...o niva se comportava bem, dentro de suas limitações...Varias trocas de marchas, um pouco de fumaça preta...
Iniciou-se, logo a ponte, a BR 282, mas aqui é chamada de VIA EXPRESSA.
Saindo desta VIA, peguei a BR 101, sentido Sul, e logo vi a minha direita, na via marginal, uma alagamento muito forte, devido às chuvas dos dias anteriores...
Logo estava ultrapassando os limites de municípios de São José e Palhoça. Mais uns 5 km a frente, estava a saída pra inicio da BR 282 novamente. Também dá acesso ao município de Santo Amaro da Imperatriz. Parei no posto BR pra encher o tanque de diesel e ver como estava a viatura.



Bom...O frio na barriga se intensificou...Chegou o grande momento...Todo o esforço empreendido na colocação do motor seria botado a prova.
Será que eu ia ter que chamar um guincho plataforma? Será que eu ia passar dos primeiros 50 km? Será?...Será?
Bom, vamos que vamos...
Iniciei de fato a viagem. Estrada fácil, sem maiores subidas...Até uns 10 km...Ai começou a serra...Estava na 5ª marcha a 80 km/h...Em poucos segundos, pediu 4ª a 65 km/h...e logo 3ª a 50 km/h...O olho sempre no marcador de temperatura e na luz do óleo...
Os ouvidos ligados nos ruídos do motor...e logo estava em 2ª marcha, a 40/50 km/h...me arrastando...mas vencendo as primeiras subidas...ali no cantinho da faixa...encolhido...
Ainda não estava acostumado com a nova performance do Niva com o motor diesel. Saber suas manhas, e também estava sem contagiros. Preciso arrumar um jeito de ligar o contagiros original ao motor diesel.
Passam automóveis modernos, com seus motores 1.000 cc, mas com potencia de sobra. Passam caminhonetes modernas turbo diesel, caminhões pequenos e caminhões grandes...
Segui nesta situação, de constantes trocas de marchas...Velocidade máxima de 70 km/h, sempre vencendo cada subida, cada curva...e de olho nos instrumentos...
Mas o marcador de temperatura acusou perto de 120º.Putz!!!
Parei numa área de escape, a beira da rodovia...Desliguei o motor...Passou pela cabeça...”Será que pega depois???” Mas não tinha opção, tinha que desligar. Desliguei, desatei o cinto de segurança e desci...Verifiquei se o carro estava numa posição segura, e abri o capuz do motor...Logo vi um vazamento de água, numa mangueira que passa água pra resfriar a turbina...(a turbina estava lá, mas desativada, sem o miolo, pois estava com folgas internas, jogando óleo do motor nos caracóis, impossibilitando seu uso).
Por isto o motor não tinha potencia pra vencer bem as subidas...E eu precisava viajar assim, sem ela funcionado, pois tinha prazo vencendo pra chegar no destino. E tinha que ir de Niva. Resolvido o vazamento, trocando uma abraçadeira, completando a água do sistema, conferindo o nível do óleo do motor, correias...Entrei no carro e de novo me coloquei em marcha. O motor pegou de primeira (rendi graças ao Pai rsrsr) e da-lhe subir...
As subidas começaram a piorar...Mais longas e mais íngremes...e 2ª normal não dava mais.
Resolvi reduzir, pra ganhar mais velocidade em marchas mais altas. Assim comecei a andar em 3ª reduzida a 40/50 km/h. A temperatura começou a subir de novo e chegou perto do vermelho...


Resolvi parar de novo...Numa entrada de estrada de sitio...Bom...agora é esperar esfriar.
Abri o capuz de novo, mais uma das 400 vezes que fiz isto nesta viagem (KKK), e notei que novamente vazava água pelo mesmo local anterior...
Resolvi comer uma coisinha, e apreciar a paisagem...Não chovia, mas o céu prometia...Estava frio, mas devido a adrenalina alta, nem sentia...Passou uma viatura da PRF, ficaram olhando o niva, mas seguiram em frente. Havia logo em frente uma curva a esquerda, e um cone de sinalização no meio da pista...Pensei se tratar de algum acidente ou algo que tinha ocorrido. E em alguns minutos apareceu uma ambulância de resgate da PRF recolhendo o dito cone...Desceram a serra sem me notar ali.
Resolvi eliminar aquela passagem de água pela turbina, interligando as mangueiras com um pedaço de cano de cobre, que eu tinha colocado na mala de ferramentas nos dias anteriores...Lá na minha oficina, tinha trupicado neste cano umas 3 vezes, catei ele do chão e me veio a mente...HMMM PODERIA SER UTIL NA VIAGEM... E realmente foi. Coloquei ele displicentemente na caixa de ferramentas, junto às chaves de fenda.
Já tinha gastado 2 litros de água, dos 8 que trazia no porta malas...Usei mais 2. Vi uma grande poça dágua logo ali perto, com a água limpa...Fui até lá de garrafas em punho, e peguei outra garrafinha pet q estava ali jogada, (quanto lixo temos as margens de nossas rodovias !!!), cortei ao meio com um estilete e usei de canequinha pra encher as garrafas pet´s de 2 L. Bom, água tinha.
Conferido o nível de óleo, correias e uma inspeção visual rápida, entrei na viatura e nova partida...Coloquei o cinto, engatei a primeira e arranquei com o Niva...Estava reduzido...Ai começou uns ruídos feios no cambio...clack! clack! PAREI!
Putz...Que seria ??? Ai bateu o medão...Falei comigo, “pronto, acabou a aventura... ferrou”,
fú...” Em um lampejo, resolvi abortar a viagem. Resolvi retomar o caminho de volta, antes de precisar pedir uma plataforma. Com cautela, atravessei a pista e comecei a descer a serra. Parei no acostamento, tirei da reduzida muito decepcionado.
Mas ao andar uns 3 km, notei que o ruído sumira. Parei no acostamento. Reduzi e arranquei...Sem ruídos. Parei de novo. Tirei a reduzida...Falei (falei sozinho muitas e muitas vezes rsrsr) “Cara, você tem que ir...não pode adiar mais esta viagem, o prazo esta esgotando, e é muito importante pro futuro de todo este trabalho de adaptação...”
Novamente reiniciei a subida...Resolvi parar e tirar o cardan dianteiro. Ia ajudar a aliviar o sistema e também acabar com aquele maldito ruído do cardan roçando na barra estabilizadora. Parei num recuo da estrada, tirei as ferramentas necessárias, troquei a blusa por uma de “guerra”, forrei o chão com papelão e lá fui eu pra baixo do Niva.
Tirei o cardan, coloquei no porta malas, lavei as mãos com a pasta pra mecânico, numa poça de água ali mesmo, resolvi comer umas frutas e logo segui viagem.
Deu certo...O niva estava mais solto...Com aquela luz amarela acesa do painel (do bloqueio), fiquei incomodado. Resolvi tirar a lâmpada...Efeito psicológico. Sem parar o carro, saquei o soquete do painel com a faca de cozinha que tinha ali comigo e tirei a lâmpada. Remontei tudo e vamos serra acima. Já não precisei reduzir mais...Claro que a velocidade não passava dos 50/60 km/h nos trechos menos íngremes (raros). Varias e varias vezes fui pra beira do asfalto pra dar passagem a outros veículos. Quando tinha 3ª faixa eu ficava mais tranqüilo, pelo menos não seria empurrado pelos apressadinhos (principalmente caminhões pequenos de entregas, que não respeitam nada... se acham !)
Pra minha alegria, o pior da serra tinha acabado. Vi uma placa na beira da pista MONUMENTO AOS TROPEIROS A 1KM, e logo vi uma grande área de terra plana ao lado direito da rodovia. Resolvi parar ali pra tirar umas fotos e tomar um fôlego.



Este é o Monumento, ao fundo um grande galpão onde os antigos tropeiros, que levavam mulas do RGS a São Paulo, descansavam.




Foto do galpão de descanso dos tropeiros.


Uma rápida parada pra esticar as pernas. Eram por volta das 11:00 h da manhã, 5 horas pra vencer este primeiro trecho de uns 120 km.
Embarquei no Niva, após uma verificada na água, óleo e outros itens, e retomei a estrada.
De repente olho pelo retrovisor...Algo vermelho estava atrás. Apurei a vista, e não acreditei !!
Seria possível? Uma Ferrari? Parecia sim. Tirei uma foto. Quando me preparava pra deixar ela passar e tirar outra...Ela passou! Não deu tempo de nada.


KKKK...E foi embora...Com aquele ronco maravilhoso.
Parei pra abastecer e tomar um café quente, verificar água e óleo... Kkkk.


Estava eu lá, dirigindo, vendo as lindas paisagem serranas, feliz da vida por ter vencido meus medos iniciais....


Senti um certo balançar da traseira do Niva...Ficou mais forte, era uma descida longa, estava a 100 km/h e derepente...Ploft! Ploft! PUM...PUMM...
Ih caraca, será q lá se foi a ponta de eixo? Rolamento traseiro ??? Que merda! Depois de todo este sacrifício...Quebrar logo aqui? E ainda com uma peça que não tenho de reserva...
Já estava sem a tração dianteira...Teria q recolocar o cardan dianteiro e desligar o traseiro.
Parei no acostamento e desci do carro. Putz! Era somente um pneu furado !!!


Que coisa simples. Logo imaginei a 3ª guerra mundial...rsrsrsrs.
Não tinha mencionado ainda, mas estava levando comigo 4 pneus 7.0x16 militar, que eram os meus de uso normal. Em poucos testes antes da viagem, resolvi usar uns pneus 6.95x16 que eu tinha, bem menores que os 7.0. Dava a impressão que estes menores, davam mais certo com o novo motor diesel. Um destes pneus 7.0 estava com roda, pra ser usado como estepe.
Trocado o pneu, mais uma vez verificado água, óleo e inspeção visual, segui viagem.
Notei que com 1 pneu maior que o outro, o niva conseguia retomadas melhores. Perdi um pouco de final. Resolvi que ao chegar em Lages, trocaria os pneus traseiros pelos 7.0.
Logo apareceu um posto e um borracheiro. Desmontamos o pneu furado, a câmara tava uma peneira...Imprestável. Comprei uma nova do sujeito, preço negociado de R$ 70,00 para R$ 50, 00, depois de uma conversa com o distinto, pois eu sabia quanto custava uma daquelas. No Maximo R$ 35,00.
Aproveitei pra verificar uma pane elétrica, onde parou de funcionar a buzina, os faróis de milha e os vidros elétricos...Testa daqui, testa dali, e era somente o fusível isolado.
Perguntei ao borracheiro sobre o restaurante do posto se era confiável. Ele disse que sim, que a cozinha era muito limpa, comida caseira, era parada de ônibus ali.
Já eram 12:20 a fome apertou. Resolvi investigar. Parei o niva ao lado da porta, evitando que na partida jogasse fumaça la pra dentro...kkkk.
Fui ao banheiro, e não é que era limpo e cheiroso ??? Putz, bom indício de que a cozinha era confiável. Ao entrar, notei que era uma família que ali comandava. Buffet livre,
R$ 10,00 com sobremesa. Vários pratos quentes, saladas...Tudo muito simpático. Simples mas limpo.
Resolvi almoçar ali mesmo. Comi coisas leves, mas arrisquei um pedaço de carne de porco assada (irresistível).
Dei um tempo lá, uns 30 minutos, verifiquei água e óleo, e retomei a jornada. Liguei o meu MP3 tipo Lennox (daqueles antigos) no rádio que tinha comprado 2 semanas da viagem.
Um rádio simples, com entrada auxiliar apenas. Nada de aparelhos de som caro, pois não curto muito som em carro. Só um suficiente pra escutar uma musica e evitar que larápios quebrem um vidro do niva, pra roubarem o som. Ai o prejuízo é maior. Vidro de niva é raro e caro.
Fiquei mais relaxado, escutando meus rocks antigos e vendo a placa LAGES A 50 KM...
Putz !!! Que alegria....Cheguei a Lages...ehhhhhhh.

Entrei na cidade de Lages as 13:40 h, logo vi uma auto peças com serviço de balanceamento, ideal pra instalar os pneus 7.0 . Aguardei a loja a abrir, as 14:00 (costume da maioria do comércio em SC), e liguei pro amigo Felipe Fert, ex niveiro. Ele foi ao meu encontro, pois morava bem próximo dali. Ficamos de papo, e ele me ofereceu seu GPS pra ajudar na viagem. Aceitei de bom grado. Logo ele retornou com o GPS e umas frutas de seu sitio. Laranjas e bananas. Gente boa este Fert. Convidei-o a seguir a viagem comigo, até meu destino, mais uns 300 km a frente. Ele balançou...kkkk, mas não foi. Depois me confidenciou que se arrependeu. A esposa disse que ele devia ter ido sim...Pena. Ia ser ótima companhia, tenho certeza. Sai de Lages as 15:00. Neste novo trecho, sem maiores problemas...Varias curvas, descidas, subidas...Paisagens lindas.
Mas...logo apareceu outra serra. Muito forte. Novo trecho de tensão...Novo trecho de atenção redobrada...Novamente andar a 40 km/h por longos trechos....
Ai veio o alivio...Uma descida maravilhosa...Longa...Que delicia!!!
E assim foi a tarde e começa o anoitecer. Pensei em pernoitar em algum hotel e seguir no outro dia cedo. A pessoa com que ia me encontrar no final da viagem, o amigo niveiro Emerson, ligou-me algumas vezes durante a viagem, pra saber se tudo ia bem.
Estava numa subida, em 3ª marcha, e chegando num trevo, ao reduzir a velocidade, apareceu um ruído forte de novo no cambio...Ai Jesus !!! Seria agora o fim da aventura? Estava ainda há uns 150 km do destino. Parei numa ruazinha paralela ao trevo. Fiquei ali pensando... Que fazer?? Caraca. Virei o niva pro sentido de retomar a rodovia, e vi uma empresa grande ali próxima. Tentei ligar pro Emerson, mas não obtive êxito. Resolvi ir lá naquela empresa caso precisasse de um telefone. Em frente a empresa havia um posto de gasolina e uma borracharia/mecânica. Fiquei mais aliviado, tinha recursos pra um eventual socorro. Parei ali no pátio do posto, e fui verificar o niva. O ruído sumiu. Água e óleo tudo certo. Tomei a decisão de seguir. Peguei a estrada de novo. Um tempinho depois, com o niva sem ruídos, o Emerson consegue me ligar. Disse-lhe onde eu estava, e ele me orientou como chegar na sua cidade. Ipuaçu. Terras indígenas.
Lá pelas 19:00 parei pra abastecer e comer uma coisinha, fazer um pipi básico.


E seguindo as indicações, isto já era 20:40 h, avistei as placas:
Bem vindo a Ipuaçu....KKKK... lá estava o Emerson um pouco mais a frente, com seu Siena e os piscas-alertas ligado. Parei pra uma foto!



Cheguei na casa do amigo Emerson, após várias e várias subidas, 500 km cravados no odômetro. Mas ô lugar pra ter subidas... rsrsrs. Sempre a 40 km/h.
Fui recebido por sua família (esposa e filho) com muito carinho e uma sopinha quente e confortante. Após um bom papo, fui ao banho e dormir.
Na cama, sentia meu corpo trepidar...kkkk.
Não tinha feito a alinhamento das caixas do niva, e havia (ainda há, não mexi nisto) uma trepidação entre 60 e 70 km/h.
Mas foi uma noite de sono muito reparadora. Agradeci a Deus, aos meus amigos espirituais pela bondade divina de me permitir viver esta aventura.
Tudo isto, esta aventura, este sacrifício físico, este investimento financeiro, tem uma finalidade muito forte. Foi preciso. Motivos não faltam. Só a aventura em sim já valeria a pena.
Eu já tinha feito algo similar em 2004, onde sai de Florianópolis com uma Rural, 1974, quase toda original, até Fortaleza no Ce. Foram 4.300 km, 10 dias de viagem, sem o mínimo problema, nem um pneu furado. Foram 9 estados, com direito a travessia de balsa pelo rio São Francisco... Mas isto foi outra história...
Continuarei em breve, o resto da aventura. Tem mais, muito mais...
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Por Anderson - Kavusva:
kavuska.pecasniva@hotmail.com
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8 comentários:

  1. Graaaande Kavuskentissimo grão mestre niveiro.
    Parabéns pela aventura, nos conte as peripécias da volta!!

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  2. Grande aventura, só quem tem niva sabe das dificuldades e sofrimentos psicológicos que envolvem uma empreitada destas. Parabéns pelo relato muito bem escrito, uma leitura divertida e bem detalhada.
    Parabéns ao colega kavuska pela aventura e ao Betão pela iniciativa do tópico. Que venha a parte 2!

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  3. parabéns pela aventura Anderson (Kavuska).

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  4. Parabens pela Aventura e força de vontade, pois isto é para quem Gosta e não para quem quer. Dale CamaLada!!!

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  5. Rapaz, isso é que é sofrer, kkkkkk
    Adorei seu depoiumento sobre a viagem, comprei um niva recentemente, to começanbdo a me apaixonar. Tamben estou reformando e ja estou apaixonado pelo bicho. Ultimamente estou andando mais nele do que no meu importado.
    Show.

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  6. Belo depoimento, muito divertido.

    Aguardo a continuação da aventura.

    PArabens pela aventura, persistencia e humildade.

    sds

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  7. Cara, acabo de comprar um Niva.

    Este teu depoimento é assustador. Pôxa vida, o carro só deu dor de cabeça de extremo a extremo da viagem. Eu meteria fogo nele! E o pessoal aqui ainda acha legal a "aventura"?

    No final, tu encerra falando bem da Rural. A intenção era o quê?!

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  8. Pouco mais de 1 ano depois, fiz uma viagem de mais de 1.000 km com o mesmo carro (SC-RJ), a adaptação ficou ótima.

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